Desde dezembro de 1994, a trajetória de Zeliana Luzia Delarissa Sabala se confunde com a própria história da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. Filha da Defensora Pública Zelinda Durão Delarissa e do Defensor Público José Sedeval Delarissa, ambos aposentados, ela ingressou na Instituição quando a carreira “não era atraente em estrutura nem em salários”, realidade que, nas palavras dela, começou a mudar “porque direitos não são dados; são conquistados e precisam ser defendidos permanentemente”. Por isso, assinou a ficha de filiação à ADEP-MS no mesmo dia da posse e nunca cogitou sair. “Individualmente não temos a mesma capacidade de pressão que temos unidos; estar associada é compromisso com o fortalecimento da Defensoria e com o acesso à justiça da população”, afirma.
O percurso profissional revela rapidez incomum nas promoções, reflexo do reduzido quadro funcional da época. De Defensora Substituta em Bonito, em janeiro de 1995, a titular de entrância especial em Campo Grande, já em junho de 1997, passando por Pedro Gomes, Cassilândia e Maracaju.
Em mais de 30 anos de serviço, exerceu função de confiança de coordenação dos órgãos de atuação da capital por duas vezes, representou pares por dois mandatos eletivos no Conselho Superior, integrou o Grupo de Atuação Estratégica das Defensorias Públicas Estaduais e Distrital nos Tribunais Superiores (GAETS), coordenou o Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (NUDEM) e, atualmente, está à frente da Coordenação Criminal de Segunda Instância e novamente do GAETS.
Momentos emblemáticos marcam o percurso da Defensora. Em plantão na capital, relembra, uma servidora pública ameaçada de exoneração relatou que “dormia demais” no expediente; Zeliana exigiu o devido processo legal e conseguiu encaminhá-la à perícia, garantindo futura aposentadoria por incapacidade. “Passados cinco anos, a mãe dela me agradeceu dizendo que ninguém havia acreditado na filha antes”, recorda. Já na Segunda Instância, recebeu habeas corpus de um homem preso por pensão alimentícia em situação de miséria absoluta e doença terminal. Depois de sustentação oral, obteve a concessão da liberdade. “Ali compreendi, outra vez, a arte de defensorar.”
Convencida de que o movimento associativo sustenta conquistas coletivas, “a ADEP já foi rede de apoio em processos disciplinares, problemas de saúde e batalhas legislativas”. Zeliana enxerga a filiação como forma de honrar quem abriu caminho em tempos árduos e de preparar terreno para as futuras gerações. “Não estar filiada é usufruir dos benefícios conquistados coletivamente sem contribuir para sua manutenção e ampliação”, finaliza a defensora.
Hoje, da sala onde coordena a atuação criminal de Segunda Instância, a defensora mantém a mesma certeza que a levou a preencher a ficha de filiação há 30 anos: a força individual cresce quando se transforma em voz coletiva.